Home Data de criação : 08/01/31 Última atualização : 12/01/27 08:15 / 41 Artigos publicados

Universo em desamparo  escrito em domingo 22 janeiro 2012 04:31

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Disney Killer no Rio de Janeiro  escrito em quarta 04 janeiro 2012 19:02

Música: '174,465' - GoodChild


Disney Killer


Texto: Philip Ridley
Direção: Darson Ribeiro
Elenco: Alexandre Tigano, Darson Ribeiro, Felipe Folgosi e Samantha Dalsoglio.

Data: 06/01 a 12/02/2012
Hora: sex e sáb às 21h,
              dom às 20h.


Local: Espaço Cultural Sergio Porto - Rua Humaitá, 163 - Rio de Janeiro - RJ.

 

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Disney Killer entre os melhores espetáculos do teatro brasileiro em 2011  escrito em segunda 02 janeiro 2012 07:49

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Atores Darson Ribeiro (esq) e Felipe Folgosi em cena de "Disney Killer", dirigido por Darson Ribeiro (07/09/11) Lenise Pinheiro/UOL


Fonte: http://m.noticias.uol.com.br/retrospectiva-2011/album/destaques_2011_album.htm?imagem=17

 

 

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‘The Disney killer’ estreia no Rio 20 anos após chocar plateias  escrito em sexta 30 dezembro 2011 21:46

Philip Ridley chamou a atenção nos anos 1990, ao mesclar sexo, violência, medo e terror

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RIO - Foi uma estreia perturbadora. Há 20 anos, o desconhecido Philip Ridley colocava em cena o resultado de sua primeira investida na dramaturgia. A peça "The Pitchfork Disney" fez muita gente repensar as possibilidades do que era apresentado como teatro na cena britânica. Até então, com algumas exceções, os palcos londrinos abrigavam montagens grandiosas, épicas, ou diametralmente opostas, intimistas, flertando com o naturalismo — também oscilavam entre a benevolência e o panfleto. Poucos estavam preparados para a mescla de surrealismo dark e fantasia de cenas que embaralhavam, sem didatismo, medo e desejo, sexo e terror, violência e inadequação — insumos que intoxicavam a história de dois irmãos que sobrevivem à base de doces, remédios para dormir e brincadeiras aterrorizantes sobre o mundo fora da casa que lhes serve de abrigo.Duas décadas mais tarde, a montagem estreia pela primeira vez no Rio — após uma temporada em São Paulo —, no dia 6 de janeiro, no Espaço Sérgio Porto, insinuando novos contrastes sobre a pele dos atores Samantha Dalsoglio, Alexandre Tigano, Felipe Folgosi e Darson Ribeiro, que também assina a produção, a tradução e a direção da montagem, rebatizada "The Disney killer". Se na estreia inglesa o termo chocante era o adjetivo-matriz da elucubração crítica, agora Ridley, 47 anos, não sabe o que esperar:

— Não há algo preconcebido. Sei que escrevo para me assustar, para me desafiar, para me surpreender — diz ele.

Promissor artista plástico na adolescência, Ridley se firmou como diretor e dramaturgo. Com mais de dez peças no currículo, define-se como "um contador de histórias", e é a partir daí que subdivide suas ideias em romances, contos, novelas infantis, fotografias e longas-metragens. Com três filmes lançados — o último deles é "Heartless" (2009) —, Ridley acaba de estrear, em Londres, uma nova peça, "Tender napalm". Unanimidade de crítica, a montagem traz à cena um homem e uma mulher que lutam para dar sentido à história de amor que vivem em meio a um mundo violento. Os embates entre fantasia e realidade, entre amor e violência dominam a cena, características que, de algum modo, conectam Ridley à sua primeira criação dramática.

Sua carreira como dramaturgo surgiu a partir das artes visuais. Como tudo começou?

PHILIP RIDLEY: Meu trabalho em teatro parte da performance. O que eu apresentava em galerias de arte já tinha grandes monólogos, alguns com mais de cinco horas. Lembro-me de que aqueles textos começaram a chamar a atenção, até que um grupo de atores me encorajou a transformar aquilo numa peça. Foi o gatilho: atores sempre entenderam meus escritos antes de qualquer um. São eles que me inspiram e me dão coragem.

Mas houve uma virada, algum momento-chave para essa afirmação nos palcos?

Nunca tive um plano de carreira. Se tenho uma história para contar que precisa ser narrada como uma peça, a escrevo. Tive grandes lapsos entre uma peça e outra.

Nesse ínterim, o senhor lançou livros, curtas, pintou, fotografou... Como funciona a relação entre essas vertentes, de que modo elas servem ao Philip autor?

Sou um contador de histórias. E as conto em diferentes maneiras. Tudo depende de como a história pede para ser contada... A decisão não cabe a mim. Sempre foi assim.

"The Disney killer" põe em cena dois irmãos que dividem o teto e o medo do mundo lá fora, até que veem sua casa invadida por duas figuras aterrorizantes. A ideia de pôr abaixo os limites do lugar que nos serve de abrigo e escudo é um catalisador de medo, ansiedade, raiva. Esses sentimentos estão em cena como a amálgama de medos coletivos que pairavam sobre a sua geração?

Estranhamente, "The Disney..." é mais um zeitgeist dos tempos de hoje do que da época em que foi escrita, ela faz muito mais sentido para os jovens de hoje do que jamais fez. Desde o 11 de Setembro, vivemos aquilo que se convencionou chamar de "A era do medo". Essa peça cabe perfeitamente nessa concepção. Muitos dos temas e aspectos de que a peça tratava eram vistos sob um viés da fantasia, enquanto hoje não há nada de fantasioso, mas, sim, de um realismo total. Pessoas com medo do mundo externo e se trancafiando é um fenômeno que cresce exponencialmente. Pessoas com vidas fantasiosas há em todo lugar com computador, assim como pessoas ganhando dinheiro a partir de acontecimentos chocantes ou catastróficos. Basta notar que os vídeos mais acessados no YouTube revelam atrocidades. Vejo que todos esses aspectos são explorados na peça. O que eu tateava à época era o medo de uma violência crescente e aleatória. Um mundo que não faz mais sentido. Porque o mundo em que vivemos hoje é o próprio mundo de "The Disney...".

A peça foi considerada chocante pela crítica. Certa vez, o senhor disse que se surpreende quando um novo texto é classificado dessa forma. Mas, mesmo que não haja a intenção de chocar, o senhor fala conscientemente de temas fortes.

Não traço planos... E esses são os sonhos que tive a partir do mundo em que vivemos. Algumas peças que escrevi são consideradas chocantes, outras, não. Deixo que as peças sejam o que elas desejam se tornar. Se há cenas que chocam as pessoas... Que seja. Se uma cena se insinua como algo possivelmente chocante, é claro que tenho de lapidar até que ela funcione do modo correto. Assim como Hitchcock fez com a cena do banho em "Psicose". Mas não tenho uma agenda, um manifesto. É interessante. Sempre sou questionado sobre a ideia do choque em relação ao teatro, mas nunca em relação aos filmes que faço...

Em "The Disney killer" a insinuação de um mundo externo que ameaça a segurança e invade as fronteiras da redoma dos dois irmãos é uma crítica explícita a uma geração com medo de deixar a segurança de casa, de viver em sociedade?

Três dos meus autores favoritos são Philip K. Dick, Borges e Gabriel García Marquez. E eu percebo essas influências principalmente em "Disney killer". Haley e Presley criam a realidade de que eles precisam para que possam sobreviver. E, de alguma forma, todos nós fazemos o mesmo. Aquilo que imaginamos que seja o real pode ser mais real que a verdade dos fatos. Nossas memórias distorcem, editam, criam coisas. Não são confiáveis. Isso me fascina. Na peça, os dois irmãos dividem uma fantasia que, para eles, é a verdade. Até que Cosmo os chacoalha para fora de suas confortáveis fantasias.

Há uma metáfora indicando que é por meio do enfrentamento de nossos medos que podemos nos aproximar da essência de quem somos? E, a partir daí, vivermos mais plenamente, sem medo de nós mesmos, ou daquilo que criamos dentro de nós?

Acho que a peça abre uma miríade repleta de espelhos metafóricos. Cada um espelhando o oposto do outro. Para mim, é uma peça sobre a insanidade que temos de criar para que possamos viver num mundo insano. Acho que é sobre amor. Haley e Presley se preocupam um com o outro. Como você protege o que você ama num mundo que pode destruir esse amor? A imaginação pode nos salvar, mas também pode nos aprisionar. E ainda assim é tudo o que temos.

Tanto a crítica como o público têm declarado que a sua nova montagem, "Tender napalm", é uma mudança drástica no seu modo de escrever. O que há de tão diferente?

Não há um set específico, e a linha do tempo é absolutamente fragmentada. Mas eu sempre estou testando meus limites e mudando de direção. Há muitas diferenças entre as minhas peças.

Como analisa a evolução do seu trabalho como dramaturgo ao longo dos últimos anos? E até que ponto se reconhece ou não em suas criações?

Por muito tempo neguei qualquer traço autobiográfico. Mas, quanto mais observo, mesmo as peças mais antigas, mais sinto que são parte de mim. Tem mais a ver com sentimentos e imagens do que com personagens ou episódios. Meu trabalho se tornou mais deliberadamente autobiográfico ao passo que fui envelhecendo. "The brothers trilogy" ("Mercury Fur", de 2005, "Leaves of glass", de 2007) e "Piranha heights", de 2008) contam com uma série de momentos biográficos, enquanto "Vincent river" (2000) é baseada no assassinato de um amigo da escola de artes.

Certa vez, o senhor disse que está além da ideia de verdade, que nunca coube no realismo. "The Disney killer" flerta com a fantasia, traz um surrealismo "dark" para uma dramaturgia que chegou a ser tratada como uma possível gênese do In-Yer-Face theatre, outros dizem que os autores da sua geração foram ofuscados pela explosão do In-Yer-Face, um teatro visceral, impactante, que provoca.

Alguns acadêmicos definiram "Disney..." como a peça que catapultou toda a revolução dramatúrgica do In-Yer-Face. Mas eu nunca me senti parte de movimentos. Sempre fui um outsider. O que me interessa é contar histórias que acho capazes de mobilizar e afetar as pessoas. A coisa mais importante é transportar o espectador para uma jornada que o faça sentir a vida com mais intensidade, paixão, mágica, mistério, mais... Bem, apenas mais! É isso. Quero que as pessoas sintam suas vidas... Mais!


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/the-disney-killer-estreia-no-rio-20-anos-apos-chocar-plateias-3534971#ixzz1i43VA4yr
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A Pedreira é nossa!  escrito em segunda 28 novembro 2011 17:42

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